Médico denuncia agressão e homofobia em shopping de BH após defender pai de abordagem racista
09/01/2026
(Foto: Reprodução) Homem denuncia agressão e homofobia de segurança em shopping de BH
O médico Israel Borges afirma ter sofrido agressão motivada por racismo e homofobia de um segurança do Shopping Paragem, no bairro Buritis, região Oeste de Belo Horizonte. Segundo Israel, ele estava com o pai dele, que é negro e surdo, quando o idoso foi abordado pelo funcionário pedindo que ele saísse do local.
Ao explicar para o funcionário que se tratava do pai dele, foi agredido com um soco no rosto. A agressão foi na noite desta quarta-feira (7), e o caso foi registrado pela polícia.
“Eu e minha mãe ficamos arrasados. A gente não acreditou. Eu disse: ‘ele é meu pai, ele não é uma pessoa em situação de rua’”, contou.
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O médico ainda disse que ele e seus pais, estavam no shopping para comprar comida depois de terem feito faxina em casa. O segurança se aproximou do senhor e solicitou que saísse do shopping por acreditar ser uma pessoa em situação de rua.
“Nós limpamos o meu apartamento o dia inteiro e realmente estávamos muito sujos. Como de praxe, sempre frequentamos esse restaurante e nunca tivemos nenhum problema. Ele afirmou que meu pai deveria sair do shopping, depois de ter recebido a comida", explicou Israel.
Além das agressões e constrangimento, Israel disse que ouviu ofensas homofóbicas.
“Ele saiu em direção a outro restaurante, mas já realizando ofensas de cunho homofóbico, dizendo: ‘vai tomar naquele lugar, veado’. Eu me levantei de forma incrédula, tentando buscar validação das outras pessoas e a presença de outro segurança para intermediar a situação”, disse.
O médico ainda contou que, por causa da agressão, perdeu a consciência por alguns instantes e passou a sentir dores intensas e episódios de vômito.
“A briga corporal começou e ele desferiu alguns socos no meu rosto. Eu não tenho preparo nenhum para brigar, sempre acreditei no diálogo. Eu fui jogado no chão e ele continuou me batendo até que as pessoas ao redor fizeram uma intervenção mais efetiva”, disse.
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Segurança falou em 'discussão acalorada'
No dia seguinte, procurou atendimento médico especializado e formalizou a ocorrência. O caso foi registrado na polícia como agressão. A vítima solicitou que fosse tipificado para crime racial, que também enquadra crimes como homofobia.
“Fiz a representação e solicitei a alteração da tipificação do crime, porque inicialmente foi tratado apenas como agressão física, e não como racismo e homofobia”, explicou.
Segundo o registro policial, a versão apresentada pelo segurança é diferente. Ele afirma que no local é comum a presença de pessoas pedindo comida e que, ao se aproximar da mesa, acreditou ter reconhecido um pedinte já conhecido.
O funcionário diz que percebeu o engano, pediu desculpas, mas que houve uma discussão acalorada, com troca de ofensas entre ambos, que evoluiu para agressões físicas.
Questionado sobre a versão do segurança, Israel disse que somente na delegacia teve um pedido de desculpas.
"No momento ele ficou sem graça, o pedido de desculpas veio somente na delegacia", concluiu.
Em nota, o Shopping Paragem disse que acompanha o caso e que todas as medidas necessárias foram adotadas, conforme protocolos internos. Ainda, repudia toda e qualquer atitude de preconceito.
"[...[ o Shopping Paragem informa que a situação foi prontamente acompanhada por suas equipes, tendo sido adotadas, de forma imediata e responsável, todas as medidas necessárias para o adequado atendimento dos envolvidos e para a correta condução do ocorrido, em conformidade com seus protocolos internos. O Shopping Paragem reafirma que repudia, de forma absoluta, qualquer atitude preconceituosa, discriminatória ou conduta incompatível com o respeito às pessoas. Nosso compromisso é manter um ambiente seguro, acolhedor e respeitoso para clientes, lojistas, colaboradores e parceiros", diz a nota.
A Polícia Civil, também em nota, disse que os envolvidos foram conduzidos e ouvidos por meio da 2ª Central Estadual do Plantão Digital e, em seguida, liberados. Ainda de acordo com a PC, a investigação segue em andamento pela Delegacia Especializada em Investigação de crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerância Correlatas,
Homem denuncia racismo e homofobia por parte de segurança de shopping em BH.
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