'Preço desleal': importação de morango do Egito pressiona preços e preocupa produtores mineiros

  • 22/03/2026
(Foto: Reprodução)
Importação de morango do Egito pressiona preços e preocupa produtores mineiros A importação de morangos do Egito disparou nos últimos anos e tem provocado forte impacto no mercado interno, especialmente no Sul de Minas, principal região produtora do país. Produtores rurais denunciam concorrência desleal e afirmam que o aumento da oferta tem derrubado os preços pagos ao agricultor brasileiro. 📲 Siga a página do g1 Sul de Minas no Instagram De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais, o Brasil importou cerca de 743 toneladas de morango em 2024. No ano seguinte, esse volume saltou para aproximadamente 2 mil toneladas. Grande parte do produto importado é utilizada pela indústria alimentícia, na fabricação de iogurtes, geleias e outros derivados. Com mais morango disponível no mercado, os preços despencaram. Em centrais de abastecimento como a Ceasinha, em Bom Repouso (MG), o valor do quilo do morango destinado à indústria caiu de cerca de R$ 5,00, em 2022, para aproximadamente R$ 1,50 nos dias atuais. Importação de morango do Egito pressiona preços e preocupa produtores mineiros EPTV/Reprodução A produtora Samara Porfírio, que trabalha com morangos há duas décadas, relata prejuízos diretos. Após expandir o negócio e passar a fornecer fruta congelada para a indústria, ela perdeu contrato devido à concorrência com o produto importado, que chega ao mercado com preços entre R$ 6,30 e R$ 6,70 — abaixo do praticado pelos produtores locais. "No primeiro contato ele [contratante] me apresentou o morango, disse que tinha grandes volumes e que conseguia manter qualidade e quantidade o ano todo, que é uma dificuldade que nós temos", conta a produtora. Além disso, produtores afirmam que o morango importado, inicialmente destinado à indústria, também vem sendo comercializado como produto in natura, o que pressiona ainda mais os preços e afeta a qualidade percebida pelo consumidor. Atualmente, o valor pago ao produtor pelo morango fresco no Sul de Minas varia entre R$ 20 e R$ 28, o que é considerado baixo e insuficiente para cobrir custos em muitos casos. A situação impacta cerca de 11 mil agricultores da região. "Além da dificuldade de comercialização pelos estoques já estarem mais abastecidos, hoje o preço oferecido ao produtor rural faz com que haja um diferencial muito grande em relação ao ano passado. Isso impacta diretamente na renda das famílias envolvidas na produção do morango", afirma o gerente regional da Faemg, Caio Oliveira. Valor atual pago ao produtor é considerado baixo e insuficiente EPTV/Reprodução Sul de Minas lidera produção nacional Segundo dados da Faemg, o Sul de Minas colheu cerca de 195 mil toneladas de morango em 2025, consolidando-se como a maior região produtora do Brasil. No entanto, o cenário de preços em queda e mercado saturado levanta incertezas para a próxima safra. Produtores já avaliam reduzir a área de plantio. A família da produtora Talita Fortunato planejava plantar 40 mil pés de morango para colher a partir de maio, mas diante do risco de excesso de oferta e baixa rentabilidade, estuda a possibilidade de diminuir o número de mudas. "Estamos a todo momento indo atrás disso, pesquisando para saber como é que está, se a gente aumenta [a produção], se chama ou não funcionário para trabalhar", conta Talita. Sul de Minas lidera produção nacional de morangos EPTV/Reprodução Denúncia de dumping chega à Assembleia A situação foi tema de debate na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde representantes do setor denunciaram a prática de dumping — quando produtos são vendidos no mercado externo a preços abaixo do custo ou do valor justo, prejudicando a concorrência. Segundo especialistas, o caso pode ser levado à Organização Mundial do Comércio (OMC), por meio de uma denúncia formal. Caso a prática seja comprovada, o Brasil poderá aplicar tarifas para equilibrar o mercado. No entanto, o processo é considerado longo. "É feita uma investigação, e se ficar constatado que existe realmente dumping em relação ao produto do morango egípcio, a OMC autoriza o Brasil a praticar tarifas que possam equalizar isso", explica o economista Ricardo Múcio. Enquanto isso, produtores seguem apreensivos e cobram medidas rápidas para garantir condições justas de concorrência. Apesar de reconhecerem a importância do comércio internacional, eles alertam que os preços atuais têm comprometido a sustentabilidade da produção nacional e a renda das famílias que dependem da cultura do morango. "É uma balança comercial, do mesmo jeito que vem o morango do Egito, vai o produto nosso para lá. Mas o que está acontecendo? O preço está desleal", reclama Edvaldo Melo, proprietário do Ceasinha de Bom Repouso. Produtores de morango sentem o impacto e denunciam concorrência desleal do Egito Veja mais notícias da região no g1 Sul de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/sul-de-minas/noticia/2026/03/22/preco-desleal-importacao-de-morango-do-egito-pressiona-precos-e-preocupa-produtores-mineiros.ghtml


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