Vizinha que gravou dono de arsenal matando cachorro da família a tiros quis gritar, mas teve medo: 'Chocada', relembra
27/03/2026
(Foto: Reprodução) A vizinha que gravou um morador de Pará de Minas, no Centro-Oeste de MG - dono de um arsenal com 10 armas e mais de mil munições - matando o próprio cachorro a tiros disse que pensou em gritar para conter a agressão, mas teve receio de virar alvo do atirador. O crime foi cometido por Rodrigo Luiz dos Santos, de 59 anos, que foi preso em flagrante, mas solto após pagar fiança de R$ 20 mil.
Em entrevista ao g1, a mulher que não quis se identificar por medo de represália descreveu o susto, o medo e a forma como ficou incrédula diante da cena.
“Fiquei acuada. Mesmo que eu gritasse para ele parar, na adrenalina em que ele estava, poderia continuar e até tentar me atingir. Por isso, não esbocei nenhuma reação, a não ser ficar chocada com o que estava vendo. Nem vendo eu acreditava”, relembrou.
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Santos vai responder ao processo em liberdade. Segundo o advogado de defesa, Gismael Almendro, o cliente vai cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça. Na ocasião da prisão dele, todas as armas e munições foram apreendidos devido ao risco de ocultação de provas. Além de maus-tratos, Rodrigo deve responder por infrações previstas no Estatuto do Desarmamento.
A ocorrência foi registrada pela Polícia Militar (PM) no último sábado (21). Segundo a vizinha, tudo começou enquanto ela assistia a um filme com o marido em casa. “Ouvi um barulho e achei que pudesse ser uma bomba. Na hora, não percebi que era um tiro. Mas, imediatamente, o cachorro começou a chorar”, contou.
Homem matou cachorro a tiros em Pará de Minas
Reprodução/Redes Sociais
Ao se aproximar da janela, a mulher percebeu que o homem estava com algo nas mãos, mas não identificou de imediato que se tratava de uma arma de fogo.
“Foi quando meu marido chegou e percebeu que era uma arma, porque começou a sair sangue do cachorro. Peguei o celular e pedi para que ele gravasse”, afirmou.
De acordo com a testemunha, familiares do suspeito estavam em casa durante o ocorrido, mas não fizeram nada. “Não vi se os filhos falaram algo com o pai, mas não fizeram nada para impedir os 14 disparos contra o animal. Depois do ocorrido, ficaram olhando para o prédio para ver se alguém tinha visto. Nesse momento, me esquivei”, relatou.
Após os disparos, a vizinha e outros moradores acionaram a polícia. “Liguei na hora, e outras pessoas do prédio também chamaram”.
De acordo com a testemunha, o filho do suspeito comentou à polícia que o homem teria consumido bebida alcoólica e remédio controlado.
“Escutei ele falando isso. Mas, se estivesse tão alterado assim, não teria acertado 12 tiros no cachorro.”, finalizou.
O filho do suspeito, de 20 anos, também foi detido por fraude processual e liberado após prestar depoimento. Ele foi flagrado ao sair do imóvel em uma caminhonete com o corpo do cachorro. À PM, ele disse que o pai havia chegado em casa com sinais de embriaguez e que, pouco depois, ouviu barulhos semelhantes a disparos na garagem. Ao verificar a situação, encontrou o animal já morto. Ele confessou que limpou o local e tinha a intenção de enterrar o animal.
Morte do cachorro comoveu a população
A morte do cachorro foi marcada por comoção e revolta. Moradores se reuniram em frente à delegacia onde Rodrigo Santos estava detido e gritaram palavras de protesto. Assista no vídeo abaixo.
Prisão de homem flagrado atirando em cachorro da família gera protestos em MG
O que diz a defesa
Segundo o advogado Gismael Almendro, o cliente pagou a fiança e agora cumprirá medidas cautelares determinadas pela Justiça. A suspensão dos registros das 10 armas de fogo que ele mantinha em casa também foi decretada. Todo o armamento já havia sido apreendido pela Polícia Militar durante a ocorrência.
O homem pode responder por maus-tratos a animais com resultado morte, além de crimes previstos no Estatuto do Desarmamento, como posse irregular e disparo de arma de fogo.
“O andamento investigatório vai analisar os maus-tratos contra animais, além das infrações relacionadas à posse e ao disparo de arma de fogo”, explicou o delegado César Augusto Faria Freitas
Momento em que homem que matou cachorro a tiros foi preso em Pará de Minas
Reprodução/Redes Sociais
Maltratar animais é crime no Brasil, conforme a Lei nº 9.605/1998, com penas que variam de três meses a um ano de detenção, além de multa. Para maus-tratos a cães e gatos, a Lei nº 14.064/2020 aumentou a pena para reclusão de dois a cinco anos.
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